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Farquhar tinha planos de expansão da extração e exportação do minério de ferro, mas este plano foi inviabilizado por Getúlio Vargas, então presidente da república que chegou ao poder do estado brasileiro em 1930, com um golpe.

Em frente ao golpe de estado, Getúlio Vargas assume toma a força as reservas de ferro que pertenciam a Farquhar, criando com elas, em 1942, uma empresa de capital 100% estatal e de controle e gerência política: a “Companhia Vale do Rio Doce”.

Durante a sua história, a Companhia Vale do Rio Doce conseguiu aos trancos e barrancos expandir sua produção de minério de ferro, mas de forma ainda muito gradativa e lenta. O maior problema que impediu a Vale de crescer durante o tempo em que foi estatizada, foi a corrupção que só aumentava dentro da empresa por causa das indicações políticas, ao mesmo passo que servia de cabide de emprego para funcionários ociosos e diminuía a seu fluxo de produção, eficiência e margem de lucro, sempre recorrendo a empréstimos para cobrir os seus rombos.

A tal “privatização” nem tão privada.

Até que um dia, percebendo então a ineficiência da empresa, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu “privatizar” em 1997 e abrir metade do seu capital estatal para investidores da iniciativa privada, ao mesmo tempo em que o estado se colocava como sócio majoritário.

Os primeiros anos de parciais “privatizações”, deram muito certo. A empresa então tornada de capital misto, registrou um lucro de mais de 17 vezes superior ao registrado no ano anterior ao da venda e passou a dominar a produção e a logística de exportação de minérios, surfando sozinha a onda do crescimento mundial do setor, puxado pela explosão de crescimento desenvolvimentista da China dos anos 90. Em 2007 a Vale adquiriu uma condição de monopolista do mercado de extração de minério. Ela ficou do tamanho que é hoje, comprando empresas que foram postas à venda por outras mineradoras multinacionais.

Em tese, essas empresas -que eram donas de minas, participações em ferrovias e terminais portuários- poderiam ter sido compradas por qualquer outra companhia, mas levando em conta que a Vale sempre teve crédito facilitado, autorização regulamentaria para atuar em qualquer parte do território brasileiro e trabalhava sempre com indicações políticas, o dinheiro que entrava dentro dela era praticamente sem fim, o que facilitou o processo de compra e anexação dessas outras companhias, formando assim uma posição monopolista. Esse dinheiro de compra e anexação sempre foi feito às custas da população como podemos ver no vídeo abaixo, explicando como funciona o BNDES:

Quem fez essas anexações? Claro que foi um grupo de administradores indicados por políticos, já que o estado sempre foi sócio majoritário.

Pelo fato de ter continuado a ser uma empresa de economia mista, gigantesca e de capital parcialmente privado, os problemas continuaram: falta de estímulo à eficiência, centralização da gerência, suborno e compra fiscais ambientais e a facilidade de acesso a crédito, resultou em malinvestimentos -projetos sem uma análise de viabilidade econômica, ambiental e social- que acarretaram nos últimos desastres com mortes humanas, nos municípios de Mariana e Brumadinho, no estado de Minas Gerais.

O governo é sim, sócio majoritário.

O principal acionista da Vale é a Litel Participações, com 20,98% das ações, uma empresa criada pelos fundos de pensão dos empregados do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef), da Petrobras (Petros) e da Cesp (Funcesp).

Somente a Previ tem 17,55% das ações da Vale e é responsável por indicar quatro membros do conselho de administração da companhia. Entre eles estão o presidente do colegiado, Gueitiro Matsuo Genso, e o ex-ministro da Fazenda Eduardo Guardia.

Além dos fundos de pensão, o BNDESPar, empresa de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é o segundo maior acionista da Vale, com 7,6%, segundo dados da própria B3. A Bradespar, empresa de investimentos do Bradesco, é a terceiro maior acionista individual da Vale, com 6,3%. A companhia tem dois assentos no conselho de administração da mineradora, entre eles, o do vice-presidente do colegiado, Fernando Jorge Buso Gomes.

Além do controle indireto da Vale por meio dos fundos de pensão e do BNDES, o Tesouro Nacional é dono de golden shares da Vale. Essas são ações especiais que garantem poder de veto em decisões relevantes da companhia. O governo pode vetar mudanças da sede da companhia, na denominação social, no objeto social relativo à exploração de jazidas minerais, na liquidação da empresa e na venda ou encerramento das atividades de exploração de minério de ferro.

A culpa é do livre mercado?

Com o acontecimento do último desastre envolvendo a empresa, muitas pessoas vociferaram na internet fazendo afirmações como:

– “Viu como a ganância da iniciativa privada é ruim?”
– “Viu como o livre-mercado não funciona?”
– “A Vale é a empresa que mais mata no Brasil.”
– “A Vale é assassina.”
– “A Vale deveria ser desapropriada.”
– “Estatiza a Vale.”

Qual foi a parte do “o sócio majoritário é o estado” que essas pessoas não entenderam? É o estado que dá a palavra final do que vai ser feito com o capital da empresa e quanto de empréstimo ela vai tomar para decidir o que vai ser feito com o dinheiro investido.

Quem tem dito para estatizar a Vale não sabe do que fala, está se deixando guiar pelas emoções e pela mentalidade coletivista e estatista que predomina entre a população brasileira.

A Vale continua sendo um monopólio protegido pelo estado, e não é o seu post do Facebook criticando o capitalismo e o lucro, que vai mudar esse fato.

Então nesse momento de luto, não queira capitalizar em cima do sofrimento alheio para a promoção da sua ideologia coletivista, tente ser um pouco mais humano, e doe dinheiro para a Cruz Vermelha Brasileira, via aplicativo PicPay. Aplicativo este, extremamente capitalista.

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