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Por Alex Pipkin

Não adianta… quero ser otimista nessas manhãs gélidas, escuras e desérticas de Porto Alegre, mas não tenho evidências de que o Brasil conseguirá mudar de rota, rumo à estrada das genuínas liberdades individual e econômica. Na verdade, os fatos apontam na triste direção contrária.

É exatamente por isso que fico alarmado com a facilidade com que gente que reputava como racional e inteligente deixou-se levar pelos apelos bondosos e humanitários de togados ativistas e de governadores e de prefeitos, tomadores de decisões objetivamente autoritárias e desproporcionais, que acabaram por decepar nossas essenciais liberdades individuais, sob pretexto de combater a covid-19.

Partindo-se da premissa de que as medidas de isolamento social drástico fossem até bem-intencionadas, no sentido de preservar “100% vidas”, falta a essas autoridades a compreensão dos exemplos históricos e cabais de que toda e qualquer ação humana tem consequências intencionais e não intencionais.

Pessoalmente, como desacredito na “ciência do isolamento”, acho que os governantes jogaram eleitoralmente para a torcida, pelo patente desconhecimento do real funcionamento de uma economia de mercado e pela falta de uma apreensão mínima de que a vida, inevitavelmente, possui suas umbilicais e inseparáveis dimensões da saúde física, econômica e social. Também me parece transparente que algumas dessas autoridades tinham a intenção de paralisar a economia, forçando o seu respectivo colapso, a fim de colherem os frutos políticos de tal atrocidade.

Nunca é demais alertar que burocratas estatais tomam decisões críticas sobre a vida econômica e social dos indivíduos, sem sentir e se responsabilizarem pelo resultado de seus autoritários decretos e escolhas equivocadas.

Na vida pragmática real, a ordem surge de movimentos espontâneos que ocorrem “desorganizada e imprevisivelmente” por meio da ação de distintos desejos e objetivos individuais de cada cidadão, sabedor de suas próprias circunstâncias e de seu contexto idiossincrático. Não é pela canetada de burocratas que as pessoas agem! Nós, seres humanos, factualmente reagimos a todas as regulamentações e ordens impostas pelos governos, e nossas reações resultam em resultados que podem ser bem diferentes dos resultados pretendidos pelos burocratas estatais.

Suportados pela heurística da disponibilidade e pelo terrorismo midiático, grande parte dos nativos tupiniquins aceitou passivamente a perda de suas liberdades de ir e vir, de trabalhar e de se expressar, mesmo que inequivocamente isso signifique a falta de dinheiro para, inclusive, alimentar a si próprio e prover o mínimo necessário para a sobrevivência de suas famílias, no presente e no futuro.

Em minha singela avaliação, grande parte dos brasileiros perdeu a noção de que suas vidas passaram a ser ditadas, ipsis litteris, segundo a vontade de governantes que, infeliz e frequentemente, não apresentam traços de prudência, conhecimento e sabedoria que devem reger a vida econômica e social individual.

Os tentáculos estatais, além de destruírem a vida econômica dos indivíduos, agora podem avançar ainda mais, pelo aumento da intervenção em nossas vidas, regulando mais – não menos! – a economia e desestimulando a atividade econômica e a correspondente geração de empregos.

Regras trabalhistas sobre a definição de tipos de atividades “essenciais”, horários de trabalho, exigências aos empregadores, bem como o aumento de impostos, vão ao encontro dessas consequências não intencionais e que afetarão os setores empresariais da indústria, do comércio, dos serviços e de todos os setores da vida verde-amarela.

Regulamentos estatais e do Pequeno STF, tais como o esdrúxulo projeto de lei das fake news, capando nossas liberdades de opinião e expressão, por exemplo, matam profissionais jornalistas, privando-os da liberdade de escrever e expressarem suas opiniões, além de acabarem com suas preciosas fontes de subsistência. Não existe abissal ameaça tão real e presente neste país do que aquela apontada para o setor de tecnologia da informação…

Verdadeiramente, todo esse gigantesco número de decretos econômicos sobre nossas vidas individuais – afora os que estão por vir! -, mesmo que “bem-intencionados”, trarão resultados extremamente nefastos para às liberdades individual e econômica, pois tais regramentos negligenciam as consequências não intencionais das ações desses governantes despreparados e populistas.

Pois é! Muitos brasileiros não se deram conta ou não se importam com o fato de que essas intenções estatais puritanas, ao invés de resultarem em consequências positivas, estão efetivamente nos levando para um Estado socializante.

Cada vez mais judicializa, burocratiza e rouba-nos as essenciais liberdades, a fim de que não escolhamos pelo nosso livre arbítrio como queremos viver, desenvolver nossos planos de vida e sermos felizes a nossa própria maneira!
Eu não temo me manifestar e contrapor-me a esse trágico estado de coisas, pois não quero viver – e tampouco desejo que meus filhos vivam – num regime que inevitavelmente só tem um destino – e certeiro: o do autoritarismo, da escassez de liberdades, da miséria, da pobreza e, portanto, da falta da crucial prosperidade econômica e social.

Claro, não a de burocratas estatais, mas dos comuns como eu e a grande massa da população brasileira!

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