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Sobre o totalitarismo estatal

Que instituição é mais inimiga da verdade, da liberdade de expressão, promotora da pobreza, escravidão e tirania do que o estado? Só pode haver uma resposta: em particular, a versão totalitária deste.

Talvez não exista um exemplo maior de governo totalitário que o estado da Rússia comunista, a URSS e seus principais ditadores, Lênin e Stalin (embora a China comunista de Mao tenha matado mais inocentes). 

Podemos nos perguntar: quais são as duas instituições que esses dois políticos da esquerda marxista escolheram para perseguir e exterminar? Em primeiro lugar, o cristianismo. Em segundo lugar, a família.

A perseguição aos cristãos na União Socialista Soviética ocorreu ao longo de 1922 a 1991. Os comunistas soviéticos mataram, suprimiram o culto e perseguiram, em diferentes graus, várias formas de cristianismo.

Os soviéticos premiavam os filhos que delatassem os pais por atividades anticomunistas. Certamente não há maneira mais astuta de destruir as famílias do que por meio dessa política diabólica. E como eles tratavam o cristianismo? Foi transformado no inimigo público número um, seus praticantes foram cruelmente caçados, exterminados e seus filhos foram obrigados a se submeterem a uma grade curricular escolar recheada de propaganda comunista, ateísta e anti-criacionista nas salas de aula.

Pasmem: essa política de doutrinação ideológica continua a ser promovida em países onde a influência comunista deixou rastros da contra-cultura, uma guerra travada contra os valores ocidentais, no campo cultural e intelectual. Em países como no Brasil, que praticamente tem seu sistema político inteiro constituído por partidos de esquerda, essa influência sobrevive até os dias de hoje, e ela é extremamente anti-cristã.

A política marxista-leninista soviética importada pelos revolucionários comunistas, defendia consistentemente o assassinato de padres e pastores, controle, supressão, deturpação e a eliminação de tudo ligado ao cristianismo, encorajando ativamente a infiltração de comunistas dentro das congregações, destruição de catedrais, promovendo cobrança de impostos feita contra a Igreja e pregando o ateísmo durante a existência da União Soviética.

Motivos para atacar o cristianismo

Mas porque esses políticos escolheram perseguir a religião e a família? Porque ambas são as principais concorrentes do estado na busca pela lealdade e obediência das pessoas. Só que a vantagem da religião, é que ela não se utiliza de armas para fazer isso, mas sim, de convencimento. Os comunistas foram astutos — nas suas perspectivas diabólicas — em centrar o seu ataque nessas duas instituições respeitadas pela maioria das pessoas.

Todas as pessoas que são a favor de liberdade de pensamento, são inimigas de um estado intrusivo e totalitário. Essas geralmente abraçam uma crença, se importam com a própria família e seus principais amigos, sejam essas pessoas ateístas ou não, pais ou não. E são essas pessoas de pensamento livre, que o estado perseguiu.

A principal razão de o cristianismo ser um contínuo e eterno incômodo para os líderes seculares dos estados, advém do fato de que essa instituição define uma autoridade moral que independentemente do poder dessa gente totalitária que vive de cobrar impostos e de fazer guerras. Todas as outras organizações da sociedade (com a exceção da família e da Igreja) veem o estado como a fonte suprema das sanções éticas por meio de leis impostas involuntariamente mediante a violação dos direitos naturais, principalmente os comunistas, socialistas e os ateístas.

Não obstante, o fato de que existe uma hostilidade natural e básica entre essas duas fontes de autoridade (Igreja e estado), os líderes religiosos geralmente não cobram impostos e promulgam leis que podem te prender, te matar, ou te enviar para guerras nas quais você não queira lutar, mas eles têm algo que falta aos presidentes e aos deputados para grande desespero destes: o respeito e a vontade de os indivíduos buscarem uma resposta lógica e transcendental para a realidade que os cerca durante a vida e o pós-morte.

O cristianismo trata-se de um baluarte contra o totalitarismo. Aquele que deseja se opor às violações de direitos de liberdade, pensamento e expressão que o estado pratica, não poderá fazê-lo sem o apoio dessa força ética anti-estado, que perdura por pelo menos 2 mil anos. O cristianismo sempre foi perseguido pelas autoridades seculares, e divulgado apesar de as forças totalitárias estatais estarem conspirando contra, desde a época do Império Romano.

Conservadores cristãos e Libertários têm muito o que aprender uns com os outros. O Conservador por exemplo deve aprender com o libertário que o estado é o seu maior inimigo, por mais mínimo que ele seja, e que este só existe para destruir as três coisas que ele mais preza: a família, a propriedade e a tradição. O Libertário deve aprender com o Conservador que sem valores morais não existe capitalismo e muito menos Libertarianismo, e que para ser libertário não se pode ser libertino (transgressor das leis naturais).

A própria Bíblia nos dá provas de que Cristo era defensor da liberdade:

“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.”

– Gálatas 5:1 – Bíblia Sagrada.

Religiosos Libertários

Eis uma lista de pessoas devotamente religiosas que fizeram grandes contribuições para o libertarianismo:

William Anderson, Peter Boettke, Art Carden, Stephen W. Carson, Alejandro Chafuen, Paul Cwik, Gary Galles, Jeff Herbener, Jörg Guido HülsmannRabino Israel KirznerRobert MurphyGary NorthRon Paul, Shawn Rittenour, Lew Rockwell, Joann Rothbard, Hans Sennholz, Edward Stringham, Timothy Terrell, David Theroux, Jeff TuckerLaurence VanceTom Woods, Steven Yates.

A ênfase aos valores subjetivos dos indivíduos, da utilidade marginal e no campo do direito natural, foi diretamente influenciada por cristãos católicos, os escolásticos espanhóis.

Não podemos deixar de mencionar os teóricos e economistas da Universidade de Salamanca, povoada e divulgada, principalmente, por padres como estes:

Dominicanos: Francisco de Vitoria, 1485—1546; Domingo de Soto, 1494—1560Juan de Medina, 1490—1546; Martin de Azpilcueta (Navarrus),1493—1586Diego de Covarrubias y Leiva, 1512—1577;Tomas de Mercado, 1530—1576.

Jesuítas: Luis Molina (Molineus), 1535—1600; Cardeal Juan de Lugo, 1583—1660; Leonard de Leys (Lessius), 1554—1623; Juan de Mariana, 1536—1624.

A Escola de pensamento de Salamanca é genuinamente a predecessora moral e intelectual do Austro-libertarianismo. Veja a contribuição da Escola de Salamanca para o movimento austro-libertário, aquiaquiaquiaqui e aqui.

O primeiro capítulo do excelente livro editado por Randall G. Holcombe, The Great Austrian Economists (Ludwig von Mises Institute, 1999), escrito por Jesús Huerta de Soto, começa com a seguinte frase: 

A pré-história da escola austríaca de economia pode ser encontrada nas obras dos escolásticos espanhóis, mais especificamente em seus escritos no período conhecido como o “Século de Ouro espanhol”, que decorreu de meados do século XVI até o século XVII.

E prossegue:

Quem eram estes precursores intelectuais espanhóis da Escola Austríaca de Economia? A maioria deles era formada por escolásticos que ensinavam moral e teologia na Universidade de Salamanca, cidade espanhola medieval localizada a 150 km a noroeste de Madri, perto da fronteira da Espanha com Portugal. Esses escolásticos, principalmente dominicanos e jesuítas, articularam a tradição subjetivista, dinâmica e libertária a que, duzentos e cinquenta anos depois, Carl Menger e seus seguidores iriam dedicar tanta importância. Talvez o mais libertário de todos os escolásticos, especialmente em seus últimos trabalhos, tenha sido o padre jesuíta Juan de Mariana. [pp. 41-73]

Soto tem razão: de fato, Juan de Mariana, para os padrões de seu tempo e levando em conta que era um padre, um jesuíta, foi um autêntico revolucionário libertário.

Ateísmo no movimento libertário

A oposição ao cristianismo, mesmo que baseada em fundamentos intelectuais e não almejada como uma posição política (defender o laicismo por exemplo), ainda assim equivale a um apoio prático ao poder totalitário do estado.

É inegável que Ayn Rand teve uma duradoura, forte e profunda relação com o libertarianismo, apesar de no fim das contas, ter virado uma liberal defensora do estado mínimo.

Embora ela rejeitasse os libertários e nos tratasse como “hippies da direita”, muitos de nós ainda somos fascinados com ela, inspirados por ela e em dívida para com ela por ter nos apresentado a defesa moral da livre iniciativa.

Mas uma das mais fortes influências que ela teve sobre o movimento libertário foi o seu ateísmo militante.  Para muitos seguidores da filosofia ou seita objetivista, há uma agressiva rejeição a Deus e a todas as coisas religiosas, e até pode ser visto como um axioma básico dessa visão de mundo para alguns seguidores dessa corrente de pensamento.

militante.  Para muitos seguidores da filosofia ou seita objetivista, há uma agressiva rejeição a Deus e a todas as coisas religiosas, e até pode ser visto como um axioma básico dessa visão de mundo para alguns seguidores dessa corrente de pensamento.

E no Brasil?

A posição randiana objetivista é a posição de grande parte dos auto-proclamados libertários brasileiros, como o Raphael Lima do Ideias Radicais. Apesar de ele ser um ateísta, nunca adotou uma postura agressivamente contrária a todas as religiões, como no caso do Daniel Fraga, (ver aqui, e aqui).

Felizmente, figuras cristãs como Paulo Kogos, rejeitam a corrente randiana objetivista de pensamento e se recusam a se desvirtuar da sua missão cristã altruísta em relação ao libertarianismo, que na visão dele, tem mais a ver com caridade e voluntarismo do que com a “virtude do egoísmo” propagada por Ayn Rand.

Embora seja ele próprio um auto-proclamado libertário, Kogos se manteve fiel aos seus princípios: é a favor de um movimento libertário a favor de pautas morais conservadoras. Kogos continua envolvido nos estudos da ciência econômica austríaca e na divulgação da liberdade por meio dos seus vídeos a favor do paleo-libertarianismo. Para saber mais sobre as posições religiosas de Kogos, veja aqui, aqui, aqui e aqui.

Outros expoentes máximos do pensamento paleo-libertário católico, são os irmãos Chiocca, Cristiano, o Roberto e Fernando, os fundadores do Instituto Mises Brasil (que foi roubado por Hélio Beltrão) e do Instituto Rothbard.

Já é hora — aliás, já passou da hora — de o movimento austro-libertário rejeitar a virulenta oposição randiana à religião. Sim, Ayn Rand fez grandes contribuições para os nossos esforços, mas os cristãos fizeram muito mais. Não precisamos agir precipitadamente; não precisamos jogar fora o bebê junto com a água da banheira. Mas é certo que o sentimento anti-religião pertence a essa última atitude, e não à primeira.

As opiniões acima expressadas são consistentes com o ponto de vista do eterno mentor do movimento libertário, Murray Rothbard. Esse brilhante erudito, que frequentemente era chamado de “Senhor Libertário”, justamente por representar a epítome do libertarianismo, era uma pessoa extremamente favorável à religião, sendo especialmente pró-catolicismo. Ele atribuía os conceitos do individualismo e da liberdade (bem como quase tudo de positivo que havia na civilização ocidental) ao cristianismo, e argumentava com veemência que, enquanto os libertários fizessem do ódio à religião um princípio básico de organização, eles não chegariam a lugar algum, dado que a vasta maioria das pessoas em todas as épocas e lugares sempre foi religiosa.

Confira o vídeo:

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