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Na  maior  parte  dos  últimos  36  anos,  desde  que  Hong  Kong  atrelou  sua  moeda  ao dólar  e  cedeu  sua  política  monetária  ao  Fed,  Hong  Kong  tem  sido  um  oásis  financeiro  e político  para  investimentos  para  dentro  da  China  continental  e  do  sudeste  da  Ásia. Hoje, novos  riscos  econômicos  e  políticos  emergentes  ameaçam  as  décadas  de  estabilidade  de Hong  Kong.  Esses  riscos  são  tão  grandes  que  merecem  atenção  imediata  em  ambas  as frentes.

Nesta  carta,  discutiremos  as  origens  da  crise  iminente  de  Hong  Kong,  uma  breve história  de  Hong  Kong,  a  economia  por  trás  do  Comitê  Monetário  e  da  indexação  da moeda,  o  acordo  que  rege  as  relações  econômicas  e  políticas  dos  Estados  Unidos  com Hong Kong e como a China de Xi Jinping está forçando o governo de Hong Kong a violar o acordo que exige que Hong Kong mantenha sua autonomia ou perca o status comercial da nação mais favorecida e seja tratada como a própria China é tratada.

RISCO ECONÔMICO

A economia de Hong Kong mudou drasticamente desde a crise financeira global

Hong Kong já foi de vital importância para a posição econômica da China. No ápice, em  1993,  a  economia  de  Hong  Kong  representava  mais  de  25%  do  PIB  da  China  e  era  o porto mais ativo do mundo.

Proporção de PIB Nominal: Hong Kong/China (1960-2017)

Desde  sua  ascensão  à  Organização  Mundial  do  Comércio  (OMC)  em 2001, a China gastou  muito  em  sua  própria  infraestrutura  portuária  e,  portanto,  atualmente  é  muito menos  economicamente  dependente  de Hong Kong. Como mostra o gráfico abaixo, Hong Kong  já  foi  um grande exportador de mercadorias (negociadas principalmente em dólares americanos)   com   um   comércio   significativamente   positivo   e   superávits   em   balança corrente.  Hong  Kong  era  amplamente  conhecida  como  o  porto  sul  da  China. Enquanto a China  construía  sua  própria  infraestrutura  portuária,  Hong  Kong  foi  forçada a reinventar sua  economia  em  uma  economia  de  exportação  de  serviços.  Hong  Kong  passou  de  um grande  exportador  global  para  um  importador líquido de mercadorias e ao mesmo tempo se tornou um exportador de serviços principalmente para a China continental. Em termos econômicos, essa transformação ocorreu repentinamente na última década.

Balança Corrente de Hong Kong (2006-2018)

Anos dourados de Hong Kong (2008-2018)

À medida que a crise financeira global foi metastizada ao longo de 2008, Hong Kong se tornou a principal beneficiária mundial da política monetária de emergência dos Estados Unidos. Como a moeda de Hong Kong está atrelada ao dólar americano, as taxas de juros de Hong Kong devem se mover com as taxas de sua moeda âncora. Sua indexação cambial ao dólar  forçou  Hong  Kong  a  importar  a  política  monetária  dos  EUA,  enquanto  seu  maior parceiro comercial (China) se preparava para aumentar o crédito na proporção de metade de sua produção econômica, em um esforço desesperado para estimular o crescimento do PIB.

Assim,  em  2008,  as  taxas  de  juros  em  Hong  Kong  entraram  em  colapso  para praticamente  zero,  junto  das  taxas  de  juros  americanas,  enquanto  a  China  iniciou  uma expansão agressiva do crédito. Não é de admirar porquê o setor imobiliário de Hong Kong se  tornou  o  mais  caro  (por  metro  quadrado)  do  mundo.  Dinheiro  grátis em Hong Kong e crescimento   de   crédito   de   dois   dígitos   na   China   impulsionaram   a   maior   expansão econômica  que  Hong  Kong  já  experimentou.  Seu  copo  transbordou.  Esses  dez  anos  se provarão a melhor década da existência de Hong Kong.

Índice de preços imobiliários em Hong Kong (Residencial, Escritório e Varejo)

Como  resultado  do  dinheiro  livre  (a  taxa de empréstimos overnight de Hong Kong foi de aproximadamente 0,5% por 8 anos), os residentes, bancos e empresas de Hong Kong fizeram  o  que  qualquer  um  esperava  que  eles  fizessem:  eles  emprestaram,  usaram  e alavancaram. A alavancagem do setor privado de Hong Kong é agora a mais alta de qualquer nação  do  mundo.  Em  2010,  Hong Kong aumentou seu PIB em 7%, enquanto suas taxas de juros permaneceram em níveis de emergência, com os EUA em zero.

Hong Kong: Crédito em relação ao PIB (1978-2018)

Você se lembra quando Islândia, Irlanda e Chipre caíram como dominós no front da crise  bancária  europeia?  O  principal  determinante  dos  calotes  das  dívidas  soberanas  em cada caso foi o fato de cada país ter permitido que seus setores bancários crescessem para quase   1.000%   do  PIB.  Um  pequeno  tremor  na  economia  poderia  aleijar  o  soberano, forçando-o a intervir e salvar os depositantes bancários. Hong Kong está em uma situação tão precária quanto a Islândia, a Irlanda e Chipre estavam anteriormente à crise. De fato, o sistema    bancário    de    Hong    Kong    é    um    dos    mais    alavancados    no    mundo,    com aproximadamente 850% do PIB (com 280% do PIB sendo emprestado diretamente à China continental).

Para  piorar  a  situação,  dois  dos  maiores  bancos  de  Hong  Kong  são  subsidiários órfãos   de   instituições   financeiras  britânicas  (Standard  Chartered  e  HSBC)  que  agora carecem   de   depositantes   britânicos   significativos.   Se   e   quando   encontrarem   sérias dificuldades,   os   contribuintes   britânicos   não   irão   a   seu   resgate.   O   governo   chinês provavelmente terá que intervir para salvar os depositantes chineses e de Hong Kong, mas pode   não   resgatar   os   depositantes   estrangeiros.   Eles  certamente  não  socorrerão  os acionistas de bancos estrangeiros que operam em Hong Kong. A moral da história para os depositantes de Hong Kong é ser extremamente cauteloso, analisando em qual moeda e em qual banco eles guardam suas economias.

Ativos bancários / PIB (1991-2018)
A exposição do setor bancário de Hong Kong à China não-bancária representa agora 23% do total de ativos.
Os empréstimos domésticos têm sido o maior impulsionador do crescimento do setor bancário de Hong Kong desde 2009

O Elefante na Sala

Aqui  reside  um  dos  principais  problemas  da  Autoridade  Monetária  de  Hong  Kong (HKMA).  A  maior  alavancagem  já  registrada,  empréstimos  hipotecários  que  flutuam  e  são redefinidos  mensalmente  e  taxas  crescentes  colocam  o  HKMA  no  clássico  “dilema  do prisioneiro”.  Hoje,  a  diferença  entre  Hibor  (taxa  interbancária  de  Hong  Kong)  e  US  Libor (taxa  interbancária  americana)  é  de  surpreendentes  -80  pontos  base.  Em  uma  grande economia cuja moeda é livremente conversível, os fluxos naturais de capital vão da moeda de  menor  rendimento  para  a  de  maior  rendimento  (os  depositantes  podem  converter livremente  e  imediatamente  receber  taxas  de  depósito  overnight  mais  altas).  Se  essa situação  persistir,  a  autoridade  monetária  esgotará  primeiro  o  excesso  de  reservas  (ou como  o  HKMA  as  chama  de “saldo agregado”). Uma vez esgotada, a pressão no quadro de moedas se tornará insustentável e a indexação do dólar de Hong Kong ao dólar americano se romperá. Abaixo está um gráfico do saldo agregado de Hong Kong.

O HKMA gastou 80% de suas reservas no último ano. Se o saldo agregado for zero, esperamos  que  as  taxas  de  Hong  Kong  aumentem  (como  se  pode  ver  hoje  na  porção convexa  do  gráfico  de  dispersão)  e  que  seu  sistema  bancário  poderá  entrar  em  colapso. Atualmente,  Hong  Kong  está  no  topo  de  uma  das  maiores  bombas-relógio financeiras da história.

Taxas de Hong Kong vs Saldo Agregado do HKMA

Uma Breve História de Hong Kong (de 1841 até hoje)

Hong Kong foi governada pelos britânicos de 1841 a 1997 como resultado da derrota do  Império Qing na primeira e na segunda rodadas das Guerras do Ópio (em 1842 e 1860). Em  1898,  a  Grã-Bretanha  formalizou  seu  domínio  sobre  toda  a  área  de  Hong  Kong  (que incluía  a  Ilha  de  Hong  Kong,  a  Península  de  Kowloon  e  a  balança  dos Novos Territórios), mediante   um   contrato   de   arrendamento   de   99   anos.   Já   em   1982,   foram   realizadas discussões  secretas  entre  a  primeira-ministra  britânica  Margaret Thatcher e o “tio” Deng Xiaoping  da  China  sobre  a  mecânica da transferência que ocorreria oficialmente em 1997. Na   conclusão  dessas  discussões,  em  dezembro  de  1984,  os  150  anos  de  governo  da Grã-Bretanha sobre Hong Kong foi estabelecido em um cronograma com término em 1º de julho de 1997.

EXPANSÃO DA HONG KONG BRITÂNICA

A entrega de Hong Kong aos chineses desencadeou a crise asiática de 1997-1998

Há   36   anos,   Margaret   Thatcher   estava   envolvida   em   negociações   com   Deng Xiaoping  sobre  o  futuro  econômico  e  político  de  Hong  Kong.  Em  1983,  os  investidores estavam  seriamente  preocupados  com  o  fato  de  que,  se  e  quando  Hong  Kong  fosse devolvido  aos  chineses,  o  estado  de  direito  e  o  sistema  democrático  britânico  seriam descartados  e  a  mão  pesada  da  China comunista dominaria todos os aspectos da vida em Hong  Kong.  Como  resultado,  de  1978  a  1984,  a  moeda  de  Hong  Kong desvalorizou-se em incríveis 47% em relação ao dólar americano e até 54% em relação à libra esterlina.

Dólar americano/Dólar de Hong Kong

Em setembro de 1983, o South China Morning Post declarou que a moeda estava em “queda  livre”  e  que  Hong  Kong  estava  se  tornando  uma  república  das  bananas.  Então, depois de negar os planos na imprensa em várias ocasiões, o governo de Hong Kong atrelou a  moeda  local  ao  dólar.  A  indexação  foi  lançada  às  pressas  para  acalmar  a  mente  dos investidores e restaurar algum senso de ordem e confiança.

O  dia  seguinte  à  transferência  dos  britânicos  para  os  chineses  foi  o  dia  em  que  o bahte  (moeda  tailandesa)  quebrou  sua  indexação  com  o  dólar  e  iniciou  uma  tumultuada desvalorização   de   53%.   Os   investidores   de   várias   nações   asiáticas   (assim   como   os tailandeses)  estavam  vendendo  ativamente  investimentos  e  moedas  domésticas  para  se mudarem  para  o  porto  seguro  de  dólares  americanos  (eles  também  haviam  emprestado pesadamente dólares americanos, o que intensificava a situação). A crise financeira asiática de  1997  foi  em  parte  provocada  pela  falta  de  confiança  nos  chineses,  enquanto  eles assumiam o controle de Hong Kong.

Dólar americano/Thai  (jan 1981-fev 1998)

A economia por trás dos Comitês monetários / Indexação de moedas

A dura realidade é que as relações econômicas entre os regimes atrelados devem ser harmonizadas  ou  estão  destinadas  a  fracassar.  Norman  Chan,  o  CEO  da  HKMA,  que  em breve  será  aposentado,  admitiu  isso  em  2017  quando  definiu  as  quatro  condições  que precisam  estar  presentes  para  que  o dólar de Hong Kong seja redefinido e re-atrelado ao RMB chinês.

Ciclos  de  negócios  e  economias  devem  ser  sincronizados  ou  tensões  surgirão  na natureza   fixa   de   um   Comitê   monetário   ou   indexação.   Se   uma   das   economias   está crescendo  enquanto  a  outra  está  se  contraindo  (uma  exige  taxas  de  juros  mais  altas enquanto a outra precisa de taxas de juros mais baixas), a resultante falta de sincronicidade das  economias  atreladas  em  um  regime  de câmbio rígido cria desequilíbrios de panela de pressão com o tempo. A economia que optou por atrelar (HK) à moeda âncora (USD) deve importar  (ou  espelhar)  a  política  monetária  (principalmente  as  taxas  de  juros)  desse país. Isso  significa  que,  se  as  taxas  overnight  divergirem  entre  as  duas,  a  divergência  causará grandes  fluxos  de  capital  de  uma  maneira  ou  de  outra,  o  que imediatamente pressiona o Comitê monetário / indexação.

No  lado  forte  da  indexação  (ou  seja,  quando  o  capital  externo  está  fluindo  para  a moeda atrelada), o banco central pode inundar facilmente o sistema com liquidez (imprimir moeda  local)  para  reduzir  as  taxas  e  desencorajar  fluxos  de  capital  adicionais  na  moeda atrelada.  No  lado  fraco  do  quadro,  o  regime  atrelado  pode  gastar  reservas  excedentes

disponíveis   (pense   em   economia   de   dias   chuvosos)   para   defendê-lo.   Se  os  Comitês monetários  fossem  perfeitos,  o  peso argentino ainda seria de 1 para 1 em relação ao dólar dos EUA, como era em 2001. Em vez disso, hoje são necessários 43 pesos para comprar um dólar.

Dólar americano/Dólar de Hong Kong

Agora, o louco está administrando o hospício

Indexações  de  moeda  e  Comitês  monetários  são  idéias  financeiras  rígidas que são uma tentativa de trazer confiança e disciplina fiscal para uma economia emergente. Alguns dizem  que  substituem  uma  regra  de  política  monetária  disciplinada  para  uma  política monetária  indisciplinada.  O  engraçado  da  história  desses  relacionamentos  é  que  eles assumem    quase    exclusivamente    e    dependem    da    disciplina    do    lado    da    âncora. Historicamente,  a  moeda  âncora  (predominantemente  o  dólar  americano)  tem  sido  o regime com estabilidade política e relativa disciplina fiscal. A Crise Financeira Global forçou os  Estados  Unidos  a  zerar  as  taxas  de  juros  pela  primeira  vez  em  sua  história.  Todos  os estudos  anteriores  sobre  Comitês  monetários,  inflação  e  as  relações  entre  a  economia atrelada  e  a  economia  âncora  precisam  ser  apresentados  para  esta  discussão.  O  louco (a moeda ancorada) passou a administrar o hospício.

Historicamente,   os   Comitês   monetários   foram   implementados   por   pequenas economias  em  desenvolvimento  como  Brunei,  Antígua,  Barbuda,  Djibuti  e  Países Bálticos. As  exceções  a  essa  regra  foram  apenas  Argentina  e  Hong Kong. Sabemos como o quadro cambial da Argentina se desenrolou na virada do século e agora os desequilíbrios de Hong Kong  estão  fervendo.  A  decisão  da  HKMA  de  se  manter  firme  durante  a  crise  financeira asiática  de  1997-98  custou  caro.  Naquela  época,  eles  tinham  duas  opções:  i)  manter  o

pareamento,  elevando  as  taxas  overnight  até  20%  e aceitar o rebentamento deflacionário resultante  (que  eles  sofreram  de  1997  a  2003  com  seus  mercados  imobiliários  caindo aproximadamente  70%)  ou  ii)  flutue  livremente  a  moeda  e  permita  que  ela  faça  o  ajuste rapidamente (por exemplo, Rússia em 2015-2016).

Dada  a  falta  de  sincronicidade  entre  os  Estados  Unidos  e  Hong  Kong,  a  taxa  de câmbio atrelada não faz mais sentido econômico. A divergência entre os ciclos econômicos dos EUA, China e Hong Kong acabará por destruir o Comitê monetário. Se atualmente você economiza  com  suas  economias  ou  investimentos  denominados  em  HKD, por que diabos você   não   converteria   para   USD   e   obteria   um   retorno   extra,   além   de   evitar   uma desvalorização catastrófica da moeda?

Os   investidores   devem   prestar   muita  atenção  aos  saldos  e  desequilíbrios  que importam e evitar ouvir os “outros” dizendo a eles que tudo vai ficar bem. É preciso apenas olhar   para   os   principais   deslocamentos   da   história   para   saber   que   os   arquitetos   e detentores do soberano não têm incentivo para alertar os investidores sobre os riscos. No início de 2015, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse: “Não haverá inadimplência”. Ele estava se referindo aos graves problemas de gestão da dívida da Grécia. Quando  os  rumores  de  uma reunião secreta entre ministros das finanças da área do euro foram  confirmados  imediatamente  depois  que  Juncker  negou  a  reunião,  ele  foi  citado dizendo  algo  profundo  para  um  funcionário  público  admitir.  Quando  confrontado  pelos mesmos repórteres aos quais ele havia mentido, ele disse: “Quando a coisa se torna séria, é preciso  mentir”.  A  Grécia  continuou  a  adiar  sua  dívida  soberana  no  final  de  2015.  Os detentores de títulos do setor privado perderam 80% de seu dinheiro. Nem presidentes de bancos   centrais,   chefes   de   autoridade   monetária,   arquitetos   de   quadros   de   moeda, funcionários   de   tesouraria,   nem   o   FMI   jamais   explicarão   os   riscos   potenciais   de inadimplência  ou  falha  no  quadro  de moeda / peg até que seja tarde demais. Fazer isso é antitético à sua missão de promover e manter a estabilidade.

RISCO POLÍTICO

Erro de cálculo maciço da China em Hong Kong: problemas com os Estados Unidos

– Hong Kong Policy Act de 1992

Em setembro de 1991, o senador McConnell (R-KY) introduziu a Lei de Política entre Estados  Unidos  e  Hong  Kong  (S.1731).  A  lei  foi  projetada  para  manter  o  livre  comércio bilateral  e respeitar Hong Kong como seu próprio território aduaneiro (como foi entregue dos britânicos aos chineses em 1997), enquanto a tratava como sua própria nação soberana, desde que mantivesse sua autonomia.

Como  se  a  terrível  situação  financeira  em  Hong  Kong  não fosse suficiente, Xi está “propondo”  –  ou  melhor,  exigindo  –  que  o  governo  de  Hong  Kong  revise  suas  leis  de extradição,  introduzindo  legislação  destinada  a  instruir  Hong  Kong  a  enviar “fugitivos” às jurisdições  com  quem não possui acordos de extradição (incluindo a China continental). A administração  da  diretora  executiva  de  Hong  Kong, Carrie Lam (escolhida a dedo por Xi),

criou uma matéria de capa que estipula: “o motivo da justificativa para a extradição deve ser um ato considerado criminoso em Hong Kong e na China. Os tribunais de Hong Kong serão os guardiões,  pois  haverá  um  processo  judicial  para  decidir  se  a  extradição  é  permitida.”  O principal  problema  dessa  exibição  superficial  de  “revisão  judicial”  é  o  fato  de  a  própria China  poder  cobrar  uma  taxa  que  é  ilegal  na  China  e  Hong  Kong  e imediatamente exigir uma extradição. A presunção será de culpa se a suposta ofensa for uma ofensa criminal em ambas as jurisdições.

O  congressista  norte-americano  James  McGovern  (D-Mass)  disse  em  comunicado este  mês  que  “o  povo  de Hong Kong e os estrangeiros residentes em Hong Kong – incluindo

85.000  americanos  –  devem  ser  protegidos  de  um  sistema  de  justiça  criminal  na  China continental,  que  é  regularmente  empregado  como  ferramenta  de  repressão.”  A  questão  da autonomia  de  Hong  Kong  é  um  dos  raros  lugares  em  que  ambos  os  lados  do  espectro político  dos  Estados  Unidos  estão  de  acordo.  Os  Estados  Unidos  não  ficarão  calados enquanto essa nova proposta se tornar lei. Isso tem implicações importantes para a Lei de Política    de    1992    continuar    em    vigor    e    as    relações    comerciais    EUA-Hong    Kong permanecerem desobstruídas.

Cônsul-geral dos EUA repreendido

O cônsul-geral dos EUA, Kurt Tong, fez um discurso em fevereiro no The American Club de Hong Kong que criticou o alcance da China. Nesse discurso controverso, ele disse cuidadosamente:

De  fato,  a  transparência  do  mercado  financeiro,  o  acesso  aberto  a  informações comerciais  e  governamentais  e  um  campo  de  jogo  justo  são  algumas  das  principais bases   sobre   as   quais   o   comércio  de  Hong  Kong  se  baseia.  O  judiciário  justo  e independente de Hong Kong reforça esse sistema. Todos nós queremos que esse sistema continue a prevalecer.

Às  vezes  me  perguntam  por  que,  como  representante  da  América  em  Hong  Kong,  às vezes eu converso com funcionários do governo central da China, além de Hong Kong.

De minha parte, um dos objetivos dessas conversas é apontar para os formuladores de políticas  do  continente  os  riscos  que  o  aperto  político  contínuo  representa  para  a realização    dos    objetivos    de    Pequim    para    a    contribuição    de    Hong   Kong   ao desenvolvimento  econômico  chinês.  Informei  que,  na  minha  opinião,  é  preciso haver consistência  entre  as  instituições  políticas  e  econômicas  da  cidade  para  sustentar  a confiança  da  comunidade  empresarial  internacional,  bem  como  dos  parceiros  do governo  estrangeiro  de  Hong  Kong,  no  futuro  da  cidade.  Sem  uma  forte  presença internacional na economia de Hong Kong, é claro que a cidade ofereceria muito menos valor ao resto da China.”

Tong foi atacado pelo Partido Comunista Chinês e pediu desculpas por seu discurso que questionava a autonomia de Hong Kong em relação a Pequim. De fato, o Ministério do

Exterior  da  China  chamou  seus  comentários  de  “distorção  e  difamação”. Vendo como ele lidou  com  suas  palavras  acima  com  luvas  de  pelica,  é  interessante  observar  o  quão incrivelmente sensível o PCC é sobre a palavra “autonomia”.

Em  março,  uma  delegação  de  políticos  pró-democracia  de  Hong  Kong  se  reuniu com a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, sobre as novas propostas de extradição. O líder do  Partido  Cívico,  Dennis  Kwok,  disse:  “A  Presidente  Pelosi  está  totalmente  ciente  dos desenvolvimentos  nessa  área.  Ela  expressou  preocupação  –  profunda  preocupação  –  com as implicações  de  tais  emendas  legislativas.”  Sob  o  mesmo  país,  com  a  estrutura  de  dois sistemas,  Pequim  concordou  em  dar  à  Região  Administrativa  Especial  de  Hong  Kong autonomia  sobre  seus  assuntos  legislativos,  econômicos  e  judiciais.  Ambos  os  lados  do corredor  e  muitos  no  governo  dos  EUA  agora  estão  percebendo  que  a  China  violará completamente este acordo, violando a autonomia de Hong Kong.

As consequências de uma violação material deste contrato são as seguintes:

Ele  ordena  que  o  Presidente  informe  o  Congresso  sempre  que  determinar  que: (1) Hong  Kong  não  é  legalmente  competente  para  cumprir  suas  obrigações  sob  um  acordo internacional;    ou    (2)    a    continuação    de    tais   obrigações   não   é   apropriada   nessas circunstâncias.

Autoriza   o   Presidente,   ao   determinar   que   Hong   Kong   não   é   suficientemente autônomo  para  justificar  o  tratamento  sob  uma  lei  dos  EUA  diferente  daquela  concedida pela China, a suspender tal aplicação da lei.

Departamento  de  Estado  dos  EUA  Pesa  a  Lei  de  Política  US-HK  de  1992  (para  o período que abrange Maio de 2018 a março de 2019)

Há um mês, no relatório anual sobre Hong Kong que o Departamento de Estado dos EUA                                         enviado                                         ao                                         Presidente (https://www.state.gov/p/eap/rls/reports/2019/290526.htm),     afirma-se     que,     “[D] durante  o  período  coberto  por  este  relatório,  o  governo  central  da  China  implementou  ou instigou  uma  série  de  ações  que pareciam inconsistentes com os compromissos da China na Lei  Básica  e  na  Declaração  Conjunta  Sino-Britânica  de  1984,  para  permitir  Hong  Kong exercer  um  alto  grau  de  autonomia.  O  ritmo da intervenção do governo central continental nos assuntos de Hong Kong – e as ações do governo de Hong Kong consistentes com a direção do   continente   –   aumentaram,   acelerando   as   tendências   negativas   vistas   em   períodos anteriores.

Embora  o  idioma  fosse  agressivo,  o  relatório não recomendou a rescisão da Lei de Política   dos   EUA-Hong   Kong   de   1992   e,   portanto,   justificou   o   tratamento   especial continuado pelos Estados Unidos para acordos e programas bilaterais de acordo com a Lei. Se  o  governo  chinês  conseguir  mudar  a  legislação  de  Hong  Kong  da  proposta  para  a  lei, será incrivelmente difícil para o Departamento de Estado não recomendar a rescisão.

Hoje, o presidente Trump detém as chaves para decidir se o acordo permanecerá ou não. Apesar da recomendação do Departamento de Estado, o Presidente tem o poder único de tomar a decisão.

O Reino Unido pensa “um país, um sistema”

O  Reino  Unido  também  iniciou  uma reação significativa a Hong Kong em um novo relatório  divulgado  este  mês  pelo  Comitê  de  Relações  Exteriores  do  Reino  Unido.  O relatório  intitulado  “Um  país,  um  sistema  e meio” concentra-se no risco da autonomia de Hong Kong. (http://tinyurl.com/y5l3em4c) Além disso, diz-se que, “[também] acreditamos que a abordagem do governo chinês a Hong Kong está se aproximando mais de “Um país, um sistema” do que de manter seus compromissos do tratado sob a Declaração Conjunta.

A BRINCADEIRA (DE HK) PÁRA AQUI

No plano financeiro, a estrutura financeira alavancada e vulnerável da economia de Hong Kong é o oposto polar da heurística de disponibilidade do investidor médio. Trinta e seis  anos  de  estabilidade  relativa  não  geram  mais  uma  década  de  estabilidade  se  nossa análise estiver parcialmente correta.

Enquanto   isso,   o   excesso   de   extradição   da   China   está   causando   mudanças tectônicas  nos  acordos  fundamentais  que  governam  as  relações  econômicas  entre  os Estados  Unidos,  o  Reino  Unido  e  Hong  Kong.  Essas  mudanças  estão  apenas  começando. Investidores,  depositantes  de  Hong  Kong  e  formuladores  de  políticas  precisam  prestar muita atenção ao resultado dessa dança legislativa entre a China e Hong Kong. Atualmente, Hong Kong é o centro da capacidade da China de arrecadar dólares americanos na Ásia. A China  está  desesperadamente  com  falta  de  dólares dos EUA e, portanto, precisa de Hong Kong  para  permanecer  como  um  comerciante da nação mais favorecida não tarifada com os  Estados  Unidos  e  o  Reino  Unido.  A  oscilação financeira, associada à incerteza política, poderia  mudar abruptamente a tez da base dos investimentos em Hong Kong e em toda a Ásia.

Com tudo isso em mente, nos últimos anos, nós da Hayman observamos, analisamos e  planejamos  cuidadosamente  esse  tipo  de macroinstabilidade. Criamos uma estrutura de portfólio  que  protegerá  eficientemente os investidores investidos em Hong Kong, China e no resto da Ásia com um conjunto de posições cuidadosamente construídas que produzam uma  carga  positiva,  mas  também  mantêm  uma  assimetria  maciça  para  um  resultado negativo em Hong Kong e / ou China.

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