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Prepare-se para a inflação do dólar

Em 3 semanas de setembro, o FED injetou quase 176 Bilhões de dólares na economia americana. Uma média acima de 58 bilhões por semana. O último round de Quantitative Easing começou injetando 40 bilhões por mês e depois foi elevado para 85 bilhões , por algum motivo o FED está agindo como se os Estados Unidos estivessem em crise.

Mas vamos começar do início. A teoria keynesiana prega que o governo deve intervir e estimular a economia quando essa está mal das pernas e deve retirar os estímulos econômicos quando a economia se recupera – sim, há muito mais, mas resumidamente é isso.

Aqueles com 35 anos ou mais, podem se lembrar que nos anos 2000 houve a bolha das empresas.com, que eram empresas de tecnologia baseadas em várias formas de interação com a internet, que estava evoluindo e se popularizando. Vários empreendedores superestimaram as capacidades tecnológicas da época e investiram pesado e muitos fracassaram, isso levou a bolsa americana de tecnologia – NASDAQ – a cair de quase 5.000 pontos no começo de 2000 para perto de 1.200 pontos em outubro de 2002.

Para estimular a economia durante essa crise o FED diminuiu a taxa básica de juros dos estados unidos de 6,5% a.a. para incríveis 1% a.a. por quase 1 ano entre 2003 e 2004. E baseada nessa taxa de juros extremamente baixa, a economia se reergueu, as pessoas assumiram dividas cada vez maiores, os bancos relaxaram na concessão de crédito e tudo isso culminou na crise do subprime, em 2008.

Não só a população assumiu dividas durante esse período, como o governo também assumiu dividas, visto que estava barato, o governo americano caiu na sua própria armadilha e as consequências veremos mais adiante.

A bolha de 2008 foi imensamente maior que a dos anos 2000, basicamente por que o FED não deixou o mercado se ajustar e realocar os fatores produtivos da maneira mais lógica e racional possível e além disso interviu fortemente, baixando os juros para patamares nunca vistos antes na história dos Estados Unidos depois da crise das empresas .com. A crise o subprime foi a maior, mais ampla e mais extensa crise americana desde a crise 1929.

Adivinha o que o FED fez para estimular a economia americana após a crise de 2008? Abaixou os juros ainda mais, e durante quase 7 anos, entre o final de 2008 até o final de 2015, a taxa básica de juros americana ficou em 0%. Isso mesmo, 0%.

Durante esse período as pessoas aprenderam a viver com uma taxa de juros irreal e insustentável. Dívidas eram/são o padrão da sociedade americana, as pessoas pararam de viver com base nos seus rendimentos e passaram a viver com base no seu crédito.

Além disso, várias empresas nas últimas décadas se deslocaram para fora dos Estados Unidos pois a legislação crescente corta as margens de lucro, acaba por penalizar a produtividade e consequentemente a geração de riquezas dentro das terras do tio Sam.

O governo americano também não ficou de fora da festa e tomou muito dinheiro emprestado e a dívida americana em relação ao PIB americano explodiu de aproximadamente 55% no ano 2000 para 106% em setembro de 2019.

O dinheiro que o governo americano tomou emprestado é usado entre outras coisas para promover o estado de bem-estar social e injetar indiretamente na economia americana. Como resultado, os americanos além de viver baseado no crédito, agora passaram a depender do governo para suprir serviços de saúde e complemento de renda. Por outro lado, a injeção indireta de recursos na economia criou uma grande bolha nas bolsas de valores americanas, restringindo a inflação a esse ponto.

A injeção de dinheiro aconteceu basicamente por meio da monetização da dívida, e por causa da conotação negativa foi chamada de afrouxamento monetário – Quantitative Easing (QE) em inglês – e se estendeu do final de 2008 até o final de 2015. Perceba que o início do QE bate com o início da queda dos juros, pois é necessário ter uma fonte abundante de dinheiro para manter os juros baixos. No início do processo, o balanço do FED tinha cerca de 900 Bilhões de dólares, acumulados durante os 95 anos de existência do FED até então, e terminou o processo com 4,5 Trilhões de dólares no balanço, quintuplicando o tamanho do balanço.

O afrouxamento monetário aconteceu com o FED monetizando a dívida com a promessa de que a operação seria desfeita. Basicamente o FED imprimiu dólares – ou gerou dólares eletronicamente – e trocou pelos créditos que os bancos teriam a receber de seus clientes com base nos empréstimos feitos. Assim o banco tinha mais dinheiro para emprestar, e o governo podia comprar mais créditos.

No entanto, o governo caiu na sua própria armadilha! Ao tomar dinheiro emprestado a juros extremamente baixos, o governo agora fica impossibilitado de aumentar a taxa básica de juros, pois pagar os juros da dívida fica praticamente impossível, quem dirá pagar o principal da dívida.

No final de 2015, o FED começou a aumentar gradativamente a taxa de juros e no começo de 2018 o FED também começou a desfazer o afrouxamento monetário, tirando liquidez do mercado. Nesse processo, o FED conseguiu subir a taxa de juros até 2,5%, quando a bolsa de valores levou um tombo e o FED se viu obrigado a voltar atrás e cortar as taxas de juros novamente. Sobre o balanço, o FED conseguiu diminuir até 3,7 Trilhões.

Para conseguir manter o nível extra baixo da taxa de juros, o FED precisa voltar a injetar dinheiro no mercado, assim voltamos ao paragrafo inicial. Jerome Powel, o manda chuva do FED, disse que a injeção de 176 Bilhões para normalizar os juros overnight dos bancos americanos não é e nem tem nada a ver com Quantitative Easing, mas já diz o ditado, se parece um pato, anda como um pato e grasna como um pato, então é um pato! Mas como Quantitative Easing agora tem conotação negativa, deve receber um outro nome aleatório.

É provável que o FED saiba da impossibilidade de aumentar a taxa básica de juros e, portanto, precisa injetar dinheiro para tornar o governo e a economia viáveis.

Se o estimulo de 1 ano com taxas básicas de 1% já causou uma crise do tamanho da crise de 2008, imagine 7 anos com juros de 0%. A quantidade de mal investimentos e erros influenciados pela política financeira e que resultarão em destruição de valor é ainda imensurável.

E o problema vai aparecer, é impossível dizer quando ou qual será o estopim, mas o fato é que muitos dos fatores para uma grande crise já estão colocados. Há economistas que dizem que a próxima crise vai fazer 2008 parecer uma marolinha, ainda mais, vai deixar até a crise de 1929 no chinelo!

Há ainda a chance de o problema americano ser tão grande a ponto de retirar o dólar como moeda de reserva mundial, nesse cenário, o Ouro e as criptomoedas devem ser imensamente valorizadas.

Outras moedas como o Euro ou o Yuan Renminbi da china podem se valorizar muito, no entanto é possível, talvez provável, que a crise seja mundial e afete fortemente todos os países. Jogando todas as moedas fiduciárias na mesma vala comum.

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